Que raio de Mundo!
Morreu mais um amigo meu...
Durante algum tempo fui contanto quantos iam desaparecendo das festas de aniversário, das passagens de ano, dos arraiais lá da “terra” ou de uma simples ida ao bar...
Quando os dedos das mãos deixaram de ser suficientes mentalizei-me que era uma contagem demoníaca e obriguei-me a parar... No fundo pensei que parando a contagem, uma força maior fosse iniciada e eles deixassem de desaparecer...
Enganei-me... e todos os anos deixo de ver mais alguém...
Tudo começou à 11 anos, quando comecei a conhecer amigos na área de residência dos meus pais...
O Litos foi o primeiro... tinha comprado a Kawazaki há pouco menos de um ano! Ainda não tinha traquejo suficiente para ela e não aguentou um «picanço» numa das mais famosas «Estradas da Morte» do nosso país. Morreu electrocutado num poste gigantesco de alta tensão.
A namorada que ia à “pendura” ainda se aguentou uns meses, mas acabou por falecer.
Após este acidente e no mesmo ano morreram 12 jovens entre os 18 e os 29 anos nesta zona... Eu não os conhecia a todos, mas conhecemos sempre alguém que os conhecia e, sem compreender como, acabamos por partilhar uma dor e perca.
Desde pessoal que ia para o trabalho e são abalroados por jovens embriagados acabados de sair da discoteca (nem acreditariam na quantidade de jovens que morrem assim)... um que saiu da casa da noiva e não venceu a luta contra o sono e embateu numa árvore centenária, a três quilómetro de casa... até o Pedro.
O Pedro foi a última perca dum grupo cada vez está mais escasso.
O Pedro não venceu a sua segunda luta contra o cancro.
A primeira batalha foi difícil, mas saiu vencedor...
Na segunda, o inimigo foi traiçoeiro e atacou em frentes nunca esperadas... O Pedro não aguentou e Portugal perdeu um grande químico.
Conheci-o durante as minhas idas à biblioteca... estava no 8º ano e ele no 10º e tinha descoberto a química naquele ano...
Devorava tudo o que tivesse a ver com o assunto e acabou contagiando-me com todas as suas teorias e fórmulas.
O primeiro livro que me emprestou dei-o a ler ao meu irmão, que sempre gostou de química, física, astronomia e biologia... ficou de tal forma fascinado que seguiu quase as mesmas pisadas.
Não se lhe conheciam defeitos, mas como todo o ser humano deveria tê-lo; não se lhe conhecia uma falta de educação ou mesmo um levantar de voz.
Um químico, um bom homem, um grande amigo... tudo o que consigo dizer agora!
Durante algum tempo fui contanto quantos iam desaparecendo das festas de aniversário, das passagens de ano, dos arraiais lá da “terra” ou de uma simples ida ao bar...
Quando os dedos das mãos deixaram de ser suficientes mentalizei-me que era uma contagem demoníaca e obriguei-me a parar... No fundo pensei que parando a contagem, uma força maior fosse iniciada e eles deixassem de desaparecer...
Enganei-me... e todos os anos deixo de ver mais alguém...
Tudo começou à 11 anos, quando comecei a conhecer amigos na área de residência dos meus pais...
O Litos foi o primeiro... tinha comprado a Kawazaki há pouco menos de um ano! Ainda não tinha traquejo suficiente para ela e não aguentou um «picanço» numa das mais famosas «Estradas da Morte» do nosso país. Morreu electrocutado num poste gigantesco de alta tensão.
A namorada que ia à “pendura” ainda se aguentou uns meses, mas acabou por falecer.
Após este acidente e no mesmo ano morreram 12 jovens entre os 18 e os 29 anos nesta zona... Eu não os conhecia a todos, mas conhecemos sempre alguém que os conhecia e, sem compreender como, acabamos por partilhar uma dor e perca.
Desde pessoal que ia para o trabalho e são abalroados por jovens embriagados acabados de sair da discoteca (nem acreditariam na quantidade de jovens que morrem assim)... um que saiu da casa da noiva e não venceu a luta contra o sono e embateu numa árvore centenária, a três quilómetro de casa... até o Pedro.
O Pedro foi a última perca dum grupo cada vez está mais escasso.
O Pedro não venceu a sua segunda luta contra o cancro.
A primeira batalha foi difícil, mas saiu vencedor...
Na segunda, o inimigo foi traiçoeiro e atacou em frentes nunca esperadas... O Pedro não aguentou e Portugal perdeu um grande químico.
Conheci-o durante as minhas idas à biblioteca... estava no 8º ano e ele no 10º e tinha descoberto a química naquele ano...
Devorava tudo o que tivesse a ver com o assunto e acabou contagiando-me com todas as suas teorias e fórmulas.
O primeiro livro que me emprestou dei-o a ler ao meu irmão, que sempre gostou de química, física, astronomia e biologia... ficou de tal forma fascinado que seguiu quase as mesmas pisadas.
Não se lhe conheciam defeitos, mas como todo o ser humano deveria tê-lo; não se lhe conhecia uma falta de educação ou mesmo um levantar de voz.
Um químico, um bom homem, um grande amigo... tudo o que consigo dizer agora!

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