Crónicas de zaratrusta, O pinguim perneta e zarolho

Tuesday, June 15, 2004

Vamos! (tomo I da triologia "Música, Cerveja e Asnos")

Sexta à tarde.

Deixei o curral.

Fui até à beira rio.

Mais precisamente até à foz do rio Trancão.

Havia para lá um acontecimento musical.

Como nós burros temos umas orelhas grandes gostamos muito de música.

Havia uma marca de cerveja para lá a fazer grande alarido.

Embora este burro não seja grande fã da água de Vialonga, decidi ir à mesma ouvir os acordes melódicos de uns quantos toscos e umas brilhantes distorções de uns génios.

Isto da música ser universal é algo relativo. O meu gosto musical pode entrar em pontos de contacto com o de outros animais. Mas dizerem que há um gosto comum no que toca à música... bem, isso já me incomoda mais. É que o meu gosto musical levou muito tempo a ser formado. Foram muitos anos a ouvir porcarias, a comprar lixo e a dizer: "Porra! Isto afinal é uma grande trampa! Nunca mais sigo a opinião dos críticos!". Sempre consegui formar um gosto especial, muito meu - muito idiota - que defendo com cascos e dentes!

E lá cheguei. Ainda havia algum alcatrão livre para estacionar a cauda. A fauna do sítio era peculiar. A música já soava.

- Tu gostas desta merda? - perguntava alguém por lá.

- Eu vi ver foi o Leni, que é mêmo bom! - suspirava uma adolescente de cara infectada por acne.

- Ó Mike! - gritava um adolescente de pele escaldada pelo sol - traz também uma para mim, caralho! Eu pago-te amanhã!

- Foda-se! Olha a peida daquela gaja!! - comentava o meu vizinho. Era de facto algo bonito de se ver. O português gosta mesmo é disto. À quinta cerveja já toda a gente cravava o charro do vizinho, mirava o decote da vizinha, encostava-se ao corpo desta e calmamente gabava-se de não perceber nada da "merda" que estava a ouvir, e achar que eles tocavam muito bem para surdos.





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