Vamos! (tomo I da triologia "Música, Cerveja e Asnos")
Sexta à tarde.
Deixei o curral.
Fui até à beira rio.
Mais precisamente até à foz do rio Trancão.
Havia para lá um acontecimento musical.
Como nós burros temos umas orelhas grandes gostamos muito de música.
Havia uma marca de cerveja para lá a fazer grande alarido.
Embora este burro não seja grande fã da água de Vialonga, decidi ir à mesma ouvir os acordes melódicos de uns quantos toscos e umas brilhantes distorções de uns génios.
Isto da música ser universal é algo relativo. O meu gosto musical pode entrar em pontos de contacto com o de outros animais. Mas dizerem que há um gosto comum no que toca à música... bem, isso já me incomoda mais. É que o meu gosto musical levou muito tempo a ser formado. Foram muitos anos a ouvir porcarias, a comprar lixo e a dizer: "Porra! Isto afinal é uma grande trampa! Nunca mais sigo a opinião dos críticos!". Sempre consegui formar um gosto especial, muito meu - muito idiota - que defendo com cascos e dentes!
E lá cheguei. Ainda havia algum alcatrão livre para estacionar a cauda. A fauna do sítio era peculiar. A música já soava.
- Tu gostas desta merda? - perguntava alguém por lá.
- Eu vi ver foi o Leni, que é mêmo bom! - suspirava uma adolescente de cara infectada por acne.
- Ó Mike! - gritava um adolescente de pele escaldada pelo sol - traz também uma para mim, caralho! Eu pago-te amanhã!
- Foda-se! Olha a peida daquela gaja!! - comentava o meu vizinho. Era de facto algo bonito de se ver. O português gosta mesmo é disto. À quinta cerveja já toda a gente cravava o charro do vizinho, mirava o decote da vizinha, encostava-se ao corpo desta e calmamente gabava-se de não perceber nada da "merda" que estava a ouvir, e achar que eles tocavam muito bem para surdos.
Deixei o curral.
Fui até à beira rio.
Mais precisamente até à foz do rio Trancão.
Havia para lá um acontecimento musical.
Como nós burros temos umas orelhas grandes gostamos muito de música.
Havia uma marca de cerveja para lá a fazer grande alarido.
Embora este burro não seja grande fã da água de Vialonga, decidi ir à mesma ouvir os acordes melódicos de uns quantos toscos e umas brilhantes distorções de uns génios.
Isto da música ser universal é algo relativo. O meu gosto musical pode entrar em pontos de contacto com o de outros animais. Mas dizerem que há um gosto comum no que toca à música... bem, isso já me incomoda mais. É que o meu gosto musical levou muito tempo a ser formado. Foram muitos anos a ouvir porcarias, a comprar lixo e a dizer: "Porra! Isto afinal é uma grande trampa! Nunca mais sigo a opinião dos críticos!". Sempre consegui formar um gosto especial, muito meu - muito idiota - que defendo com cascos e dentes!
E lá cheguei. Ainda havia algum alcatrão livre para estacionar a cauda. A fauna do sítio era peculiar. A música já soava.
- Tu gostas desta merda? - perguntava alguém por lá.
- Eu vi ver foi o Leni, que é mêmo bom! - suspirava uma adolescente de cara infectada por acne.
- Ó Mike! - gritava um adolescente de pele escaldada pelo sol - traz também uma para mim, caralho! Eu pago-te amanhã!
- Foda-se! Olha a peida daquela gaja!! - comentava o meu vizinho. Era de facto algo bonito de se ver. O português gosta mesmo é disto. À quinta cerveja já toda a gente cravava o charro do vizinho, mirava o decote da vizinha, encostava-se ao corpo desta e calmamente gabava-se de não perceber nada da "merda" que estava a ouvir, e achar que eles tocavam muito bem para surdos.

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