Crónicas de zaratrusta, O pinguim perneta e zarolho

Tuesday, July 06, 2004

Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen

A Sofia era já uma velha cheia de crosta e pus quando bateu a pataleta. Senão, reparem que a dita ainda escrevia o próprio nome com “ph”, tipo pharmácia do século XIX, estão a ver?



Bom, a dita da senhora, uma das últimas personalidades nacionais que ainda pensavam mais do que fodiam, escreveu em tempos um poema a que deu o nome de Naquele Tempo. Aqui, o vosso amigo Zé, em sentida homenagem (antes ela do que eu), transcreve o dito e uma “piquena” sugestão de modernidade, de minha autoria. Cá vai cavadela:



Naquele Tempo

Sob o caramachão de glicínia lilaz

As abelhas e eu

Tontas de perfume

Lá no alto as abelhas

Doiradas e pequenas

Não se ocupavam de mim

Iam de flor em flor

E cá em baixo eu

Sentada no banco de azulejos

Entre penumbra e luz

Flor e perfume

Tão ávida como as abelhas




Abril de 98



Naquele Tempo Fodia-se pouco

Sob o caralhão de glande lilaz

Os tomates e eu

Tontos de cheiro a cona

Lá no alto as bocas

Doiradas e pequenas

Não se ocupavam de mim

Iam de piça em piça

E cá em baixo eu

Sentado no banco de azulejos

Entre penumbra e luz

picha e tomates

Tão ávido como as abelhas*




Junho de 04



* N.T. mantive as abelhas no final, por respeito à autora.

1 Comments:

  • Besta atroz!!!
    Nem as defuntas tu respeitas!...

    Continua assim, meu poço de perversidades, que o pessoal gosta!

    Cheers, mate!

    By Anonymous Anonymous, At 2:20 PM  

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