Crónicas de zaratrusta, O pinguim perneta e zarolho

Friday, July 02, 2004

O português nos transportes públicos

Os portugueses são, sem dúvida, uma raça com qualidades diversas e únicas. Comportam-se cada vez mais como animaizinhos fechados em jaulas, aos quais os visitantes atiram amendoins e tremoços. Podemos até compará-los a extraterrestres, seres de planetas distantes e desconhecidos. São cada vez mais escravos da rotina, tudo lhes serve, são conformistas por natureza e aceitam tudo como um bebé aceita um chupa-chupa. Aquelas figuras latinas que vemos todos os dias, com ânsia de chegar a todo o lado, a casa, ao emprego, ao supermercado, luta diariamente por melhores posições naquelas filas infindáveis do congestionamento social. Muitas vezes entro no Metro, de manhã cedinho e gosto de olhar em volta. Olho para a cara dos meus conterrâneos e penso com curiosidade na história de vida de cada um deles. Geralmente estão cabisbaixos, com uma expressão dura e distante da realidade. As suas mentes estão povoadas de problemas insignificantes que lhes moldam a vida. Por exemplo, aquela senhora loira, aquela, sim aquela que está sentada ali naquele banco, ao lado da porta, essa mesma, que estará a pensar? Pensa: “…ai que deixei a luz acesa, será que deixei a chaleira ao lume? Meu Deus, não tirei nada para o jantar…”. De repente paramos na estação da Praça de Espanha. Entra um sujeito, pelas feições deve ser angolano. O Metro vai cheio, ele aproxima-se de mim, cada vez mais depressa, começo a sentir um aroma que desperta o meu olfacto adormecido. Entro em pânico, vejo o homem esticar o braço à procura daquelas coisas penduradas no tecto da carruagem. Segura-se e o meu olfacto é invadido pelo odor corporal, característico das raças africanas. Como é Verão, o calor obriga-o a usar uma t-shirt de alças, revelando um forte arbusto de pêlos negros, suados, pingando de calor. Olho de novo em volta. Estudo mais uma vez o que se passa em meu redor. O meu olhar foca agora aquele senhor na casa dos cinquenta anos, bigode farfalhudo, camisa de manga curta abotoada a partir do umbigo para baixo, pêlos à mostra, decorados com um cordão de ouro herdado de gerações passadas. Ele pensa: “…eh lá, aquela gaja é mesmo boa, papava-a toda. Xiiiii, deve ser mesmo boa…”. Chego finalmente ao meu destino. Corro instintivamente para a porta. Saio com rapidez daquele mundo enigmático, sufocante. Sou eu, a minha vida volta ao normal. Esqueço tudo…

1 Comments:

  • [quote]Entra um sujeito, pelas feições deve ser angolano. [/quote]

    Porque não chamar os bois pelos nomes? Um sujeito com feições de angolano, das duas, uma: ou é preto, ou é preto. E um preto é um preto! Não se confunde com brancos, nem amarelos, nem... Bom, talvez os gorilas...

    Tudo o resto cheira-me a fantasia sexual com um preto. Dizem que têm as pichas grandes, embora eu seja branco e sempre me tenham dito: "da-se! Deves ter herdado isso do teu pai, não? Ele é preto, ou quê?". Pois eu acho que este mito urbano dos pretos foi inventado pelos panascas ingleses que surgiram - vai-se lá saber de onde - nos anos 60.

    Quanto concretizares a tua fantasia conta como foi!

    By Anonymous Anonymous, At 5:54 PM  

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