Crónicas de zaratrusta, O pinguim perneta e zarolho

Wednesday, July 28, 2004

Oh Zé, dedico-te este poema...

Apesar de existirem algumas divergências entre nós, acho que vale sempre a pena tentar remediar as coisas e, respeitar cada um à sua maneira. E como alguém me disse que o "meu" amigo Zé gosta de poesia, deixo aqui este "piqueno" poema escrito por mim e, dedicado a essa tão ilustre personalidade, o Zé.



 

Cavalo 

 

Corjas de rosmaninhos queimados

Seduzem a criança de cabelo escarlate

Beijando levemente a pele nebulosa, virgem

Vento bruto, quente e sedento amante

Cai por terra, lânguida… a criança.

Sopros trementes, desassossegos quietos

Pernas robustas, pés juntos em cruz, sozinhos.

Um cavalo ao longe, de batalhas nascido

Crina reluzente, manchada de sangue

Corre, salta, trota em suspensas planícies

Um casco sobre o cabelo escarlate

Um bafejo inseguro e cansado…

O ouvido da criança, molhado em alento

Uma pinga de sangue, da crina… cai.

Um beijo de morte na face… cai.

Um traço quente, vermelho que desce

Toca no lábio, cores misturadas, aromas

A mão sobe, inerte movimento

A crina manchada, suave textura…

Coração pequeno, como amêndoa dourada

Bate fraco, sobre a terra plana e suja

Uma última pulsação, da criança

O toque na crina…

Branca, contadora de vitórias

Em sangue, testemunho de fins suplicantes.

A criança esquecida, de cabelo escarlate…



 



 

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