Crónicas de zaratrusta, O pinguim perneta e zarolho

Thursday, March 17, 2005

Aguenta e não Chora

É significativo que ao fim destes meses todos de ausência, ainda receba e-mails de gente a pedir-me para voltar a escrever. No entanto, o desprezo que sinto pelo país nestes dias que correm, a inércia da monogamia temerária, têm-me tirado a tusa para a escrita. Mas foda-se, homem que é homem não vira a cara à luta. Continua a foder à grande e à francesa, ou à canzana…

Seja como for, a pedra que fez agitar o lago e me faz voltar a escrever, é este e-mail que recebi a semana passada:

"-----Mensagem original-----
De: xxxxxxx@mail.pt
Enviada: qua 09-03-2005 4:38
Para: ZeConas
Cc: Assunto: Por favor, volte!

Zé:
É com profunda tristeza que o vi abandonar este espaço depois de ter escrito o “às mulheres deste país, civilizem-se!”. Fiz como disse: peguei numa gillette e livrei-me de todos os pêlos que me cobriam o corpo.

Tenho 38 anos, 2 filhos e um marido que amo muito, mas cuja valentia na cama nunca demonstrou a experiência que o Zé deve ter. Acho-o um amor e um altruísta. Sei que nunca faria amor consigo, pois deve ser um tarado e de certeza que quereria logo fazer sexo anal comigo e, como acho que deve doer muito, não sei se era capaz. E, claro, nunca seria capaz de atraiçoar o meu marido, pelo menos fisicamente porque confesso que já o fiz sozinha mais do que uma vez a ler a “arte do cunnilingus”.
Por favor, Zé, volte. Venha tirar-me de novo desta monotonia que é a minha vida!
Um beijo (onde quiser),
Anabela”

Minha querida: aqui estou eu, pronto a prestar novamente serviço público, sempre que a minha agitada vida (às vezes com a mão direita, outras com a esquerda) o permitir.
E já agora, minha querida, vá à farmácia e compre K-Gel. Chegue a casa, besunte o cuzinho com ele, peça ao seu marido para lhe enterrar o Zé Tolas nos entre-pregas (por oposição a entre-folhos) e vai ver que não custa nada. “Aguenta e não chora”, já dizia o outro.

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